O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA viu a luz das estrelas pela primeira vez, testou uma câmera de 300 megapixels e pode agora ter combustível para pelo menos 22 anos de ciência.
O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA viu a luz das estrelas pela primeira vez. O Gizmodo, que relatou o marco, descreve o Roman como um observatório de US$ 4 bilhões e o coloca ao lado do Hubble e do Webb como os olhos da Terra no espaço. A primeira observação é um marco significativo e oferece aos cientistas outra ferramenta poderosa para estudar o universo, a qual poderá, eventualmente, moldar o que sabemos sobre como as galáxias se formam e se a vida existe além da Terra. O Gizmodo observa que o telescópio custou US$ 4 bilhões para ser desenvolvido e lançado, um investimento que sinaliza o quanto se espera dele. O relatório afirma que o Roman continuará a operar ao lado do Hubble e do Webb, e espera-se que suas próximas descobertas tragam mais luz aos mistérios do universo.
O que o telescópio fará com esse investimento ainda está sendo definido, no sentido mais literal da palavra. A NASA ativou a câmera de 300 megapixels do Roman e recebeu as primeiras imagens de teste, que atualmente estão fora de foco. O Boing Boing relata que o desfoque pertence ao processo de teste e calibração, e não a qualquer falha no hardware, e que os quadros são um passo para preparar o telescópio para sua missão científica.
O objetivo da calibração é a missão que a sucede. O Boing Boing relata que a meta do Roman é capturar imagens de alta qualidade para auxiliar descobertas sobre planetas e energia escura. Seus levantamentos cósmicos são projetados para descobrir novas informações sobre planetas além do nosso sistema solar e para mapear a estrutura e a distribuição da matéria no cosmos. O resultado, de acordo com esse relatório, será uma visão ampla e nítida do universo, um novo recurso para vários estudos científicos, em vez de um único experimento. A abordagem do Gizmodo acrescenta a perspectiva de longo prazo: as descobertas poderiam incluir uma nova compreensão da formação de galáxias e poderiam influenciar a possibilidade de vida além da Terra, e espera-se que o Roman continue operando ao lado do Hubble e do Webb.
Também há tempo de sobra. O ScienceDaily relata que o Roman pode agora ter combustível suficiente para pelo menos 22 anos de ciência, mais do que o dobro de sua vida útil original de 10 anos. Três fatores explicam o excedente, segundo o relatório: uma correção de curso extremamente precisa, combustível extra transportado no lançamento e economias adicionais esperadas. Nenhuma data de término específica para a missão foi anunciada.
Uma missão construída para levantamentos se beneficia de um prazo maior. Quanto mais tempo o Roman operar, mais céu ele poderá cobrir e mais chances terá de capturar eventos raros, embora as reportagens disponíveis não mencionem alvos específicos ou um cronograma para o que vem a seguir. O relato do ScienceDaily é cauteloso nesse ponto: o telescópio poderia continuar estudando o universo por décadas, mas nenhuma data de término específica para sua operação foi anunciada.
A primeira luz do Roman não foi a única notícia de astronomia dos últimos dias, e os outros itens ajudam a explicar por que levantamentos de longa duração são importantes.
O Space.com relata que o Telescópio Espacial James Webb encontrou água perto de Sagittarius A*, o buraco negro supermassivo mais próximo de nós. O telescópio capturou dados detalhados sobre a região, um vislumbre único do ambiente que cerca um buraco negro supermassivo. A descoberta traz implicações para a compreensão das condições próximas a tais objetos e como eles interagem com o que os rodeia. O Space.com descreve isso como um vislumbre único do ambiente ao redor de um buraco negro supermassivo, capturado em dados detalhados sobre a região.
Outras duas descobertas referem-se a planetas fora do nosso sistema solar. O ScienceBlog.com conta a história de Wolf Cukier, um estudante de Nova York de 17 anos que, no terceiro dia de um estágio na NASA Goddard em 2019, avistou um planeta 6,9 vezes o tamanho da Terra orbitando duas estrelas a 1.300 anos-luz de distância, aproximadamente a cada 95 dias. Foi o primeiro planeta do seu tipo que o satélite TESS da NASA já havia encontrado. O relatório chama o planeta de TOI 1338; uma de suas duas estrelas é cerca de 10% mais massiva que o nosso sol, enquanto a outra é mais fria e menos brilhante. A descoberta foi posteriormente confirmada em um artigo revisado por pares liderado pelo astrofísico Veselin Kostov.
Além disso, há o planeta que vai na direção errada. O Space.com relata que cientistas encontraram um exoplaneta, GJ 3090 b, que orbita sua estrela na direção oposta à rotação da estrela. A órbita é altamente desalinhada, e os pesquisadores expressaram surpresa com isso. A descoberta desafia as expectativas sobre como os sistemas planetários se formam e evoluem.
Analisadas em conjunto, as notícias da semana são um estudo sobre começos. Um observatório emblemático teve seu primeiro olhar, através de uma câmera que ainda não está em foco. Um telescópio veterano detectou água perto do buraco negro no centro de nossa galáxia. Um estudante em seu terceiro dia na NASA avistou algo que exigiu um artigo revisado por pares para ser confirmado. E um planeta orbita sua estrela ao contrário.
O Roman é o mais novo desses instrumentos e, se as estimativas de combustível se confirmarem, aquele com a maior longevidade. Os relatórios não prometem o que ele encontrará. Eles dizem que a busca começou.